O Trilhas de Cuidado nas Ruas esteve presente no 17º Congresso Internacional da Rede Unida, realizado em São Luís (MA), com a apresentação do trabalho “Invisibilidade e Resistência: caminhos de cuidado e direitos inadiáveis às pessoas em situação de rua”.

O estudo reúne reflexões e proposições construídas a partir do Seminário Internacional Pessoas em Situação de Rua: Cuidado Integral e Direitos Já!, promovido pelo coletivo em outubro de 2025, reafirmando o compromisso com a produção de conhecimento voltado ao fortalecimento das políticas públicas e da garantia de direitos para a população em situação de rua.

Mais do que um espaço de apresentação de pesquisas, o Congresso Internacional da Rede Unida reafirmou sua vocação como um grande encontro de compartilhamento de saberes e experiências. Ao longo da programação, trabalhos científicos, atividades culturais e rodas de conversa evidenciaram uma ciência construída de forma colaborativa, sem hierarquias, valorizando os conhecimentos produzidos nos territórios, nas práticas de cuidado, nas pesquisas e nas experiências de vida. Entre diferentes trajetórias e perspectivas, um objetivo comum se destacou: fortalecer a luta pelos direitos, pela democracia e pela defesa do Sistema Único de Saúde (SUS).

O trabalho apresentado pelo Trilhas parte do reconhecimento de que o crescimento da população em situação de rua representa um dos maiores desafios sociais da atualidade. Marcada por profundas desigualdades, violações de direitos e exclusão social, essa realidade exige respostas que ultrapassem ações pontuais e setoriais. Nesse contexto, o estudo sistematiza os principais debates realizados durante o Seminário Internacional, que reuniu pesquisadores, gestores, trabalhadores, representantes de movimentos sociais e pessoas com trajetória de rua para discutir caminhos de cuidado integral e promoção dos direitos humanos.

Entre os principais temas abordados estão a invisibilidade da população em situação de rua nos sistemas de informação, os elevados índices de adoecimento e mortalidade, as múltiplas formas de violência, as desigualdades de gênero e as dificuldades de acesso às políticas públicas. As discussões também destacaram a diversidade de trajetórias que compõem essa população e reforçaram que a situação de rua resulta de processos históricos, sociais e econômicos complexos, demandando abordagens intersetoriais, interdisciplinares e centradas nos direitos humanos.

As produções voltadas à população em situação de rua estiveram presentes em diferentes atividades do congresso, apresentadas por pesquisadores, gestores e trabalhadores de diversas regiões do Brasil. Entre os debates recorrentes, destacou-se a necessidade de fortalecer o cuidado aos trabalhadores que atuam diretamente com essa população, ampliar a construção de redes intersetoriais e superar a fragmentação das políticas e das ofertas de cuidado. A experiência do Trilhas de Cuidado nas Ruas, apresentada a partir das reflexões produzidas no Seminário Internacional, dialogou diretamente com esses desafios, contribuindo para o debate com evidências, experiências e proposições construídas de forma coletiva.

A apresentação também evidenciou experiências nacionais e internacionais debatidas durante o seminário, demonstrando que respostas fragmentadas são insuficientes para enfrentar a complexidade do fenômeno. Outro aspecto ressaltado foi a importância da participação social, especialmente das próprias pessoas em situação de rua, na formulação, implementação e avaliação das políticas públicas. O trabalho defende que a escuta qualificada e a construção coletiva são fundamentais para produzir respostas mais efetivas, humanizadas e alinhadas às necessidades reais dessa população.

Para o Trilhas de Cuidado nas Ruas, a participação no congresso reforça princípios que orientam sua atuação desde a criação do coletivo: intersetorialidade, união e comunicação. Esses elementos são fundamentais para fortalecer redes colaborativas, aproximar diferentes setores e promover respostas mais integradas aos desafios vividos pela população em situação de rua. Ao levar esse debate para um dos principais espaços nacionais e internacionais de diálogo sobre saúde coletiva, educação, participação social e defesa do SUS, o coletivo reafirma seu compromisso com a produção de conhecimento, a articulação de redes colaborativas e a defesa do cuidado integral como estratégia para transformar invisibilidade em reconhecimento, resistência em direitos e exclusão em cidadania.